Coleta de sementes


O horto botânico da UHE Itá, para manter seu estoque de mudas, realiza coleta de sementes na região fitogeografica (local compreendido como 5 km do entorno do reservatório). Além de realizar coletas nesta região o horto dispõem de procedimentos rigidos para coleta e beneficiamento das sementes. Para exequir esse processo de coleta de sementes inicia-se na escola de árvores matrizes.

As árvores matrizes

O conhecimento da origem das sementes é de grande importância, uma vez pode existir variações entre as árvores com apresentação de diferentes características. Essas variações ocorrem também dentro de espécies do mesmo gênero, entre e dentro da mesma procedência, podendo também existir em espécies que crescem livremente nas florestas nativas.

Assim as sementes são coletadas de árvores chamadas matrizes, as quais devem apresentar características fenotípicas superiores às demais que
estão ao seu redor.

As características fenotípicas das árvores matrizes que o Horto Botânico escolhe

As árvores fornecedoras de sementes, chamadas de árvores matrizes ou também de porta-sementes, são selecionadas pelas seguintes características:

1 - Bom crescimento - devem apresentar um crescimento uniforme e boa produtividade. (Entende-se por produtividade: o crescimento do tronco, produção de folhas, produção de frutos e produção de sementes.)

2 - Porte - refere-se à altura e ao diâmetro da árvore. A árvore matriz deve apresentar grande porte e pertencer à classe das árvores dominantes, ou seja, as maiores árvores da floresta, claro, seguindo a sua espécie.( Quando a coleta de sementes for efetuada no sub-bosque da floresta, escolhe-se os melhores exemplares da espécie em questão.)

3 - Forma do tronco - devem possuir um tronco sem defeitos aparentes que possam representar danos futuros as seus decendentes. São desconsideradas as árvores com tronco tortuoso, bifurcado e/ou danificado. (Normalmente as espécies de frutíferas nativas apresentam formas variadas, devendo-se coletar sementes sempre dos melhores exemplares.)

4 - Forma da copa - refere-se à copa bem formada, bem distribuída e proporcional à altura da árvore, com boa exposição ao sol para favorecer a produção de sementes.

5 - Vigor - está relacionado com a resistência natural a pragas e doenças, ou seja, ser uma árvore sadia, bem desenvolvida e apresentar resistência também aos agentes naturais como vento, geadas, e alta umidade quando ocorrer excesso de chuvas.

6 - Produção de sementes - este aspecto é referendado pelo tamanho da copa e pela exposição à luz, responsáveis pelo grande florescimento que poderá torná-la grande produtora de sementes.

7 - Livre de doença e pragas - as árvores matrizes devem estar com boa sanidade, livres de doenças, como fungos, e de parasitas, como a erva-depassarinho.

Após essa identificação o horto botânico busca selecionar as sementes que irá levar para produzir. Antes de falar sobre a coleta das sementes, vejamos o conceito semente e sua estrutura.

As sementes florestais

As sementes, quando maduras, apresentam uma estrutura que garante a sua estabilidade durante o período de inatividade. Assim, todos os órgãos que compõem uma planta estão representados na semente, com exceção da flor, sendo constituída pelos elementos que tiveram origem no ovário da flor, por ocasião da fecundação dos óvulos.

Basicamente a semente é constituída pelo:
Tegumento - é a casca da semente e compõe-se de duas camadas: a testa e a tegma.
Amêndoa - é constituída pelo: embrião ou germe; e endosperma ou albúmen.

No embrião são encontrados:
- Caulículo que vai dar origem ao caule;
- Radícula que origina as raízes;
- Gêmula que se transformará nas folhas verdadeiras; e
- Cotilédones que formam as primeiras folhas (não verdadeiras).
- O endosperma é o órgão armazenador das substâncias de reserva das sementes.

De acordo com o número de cotilédones, as angiospermas dividem-se em monocotiledôneas, que são as espécies que produzem sementes com apenas um cotilédone. Como exemplos tem-se os bambus, as palmeiras e as gramíneas em geral. As folhas dessas espécies apresentam nervuras paralelas.Já as dicotiledôneas produzem sementes com dois cotilédones e possuem folhas peninérveas e ramificadas, sendo exemplos as espécies folhosas em geral. O processo de maturação das sementes ocorre em épocas diferentes devido às variações climáticas e às características ecológicas das espécies. Com isso, a viabilidade (capacidade de germinação) das sementes é afetada pela época da colheita. A colheita deve ser realizada somente quando as sementes atingirem o ponto de maturação fisiológica, que coincide com o máximo poder germinativo e vigor, e também quando elas praticamente desligarem-se da planta-mãe.Porém há que se considerar que nem todas as espécies liberam os frutos quando maduros totalmente. Como exemplo temos o cedro que, quando atinge a maturidade fisiológica, seus frutos abrem-se, liberam as sementes, mantendo-se presos à árvore.

O ponto de maturação fisiológica varia de espécie para espécie, com o local e com o ano. Sementes coletadas maduras apresentam maior viabilidade. Sementes coletadas verdes não demonstram resistência ao armazenamento, além de apresentar baixa viabilidade, ocasionada por vários fatores, entre eles a formação insuficiente das substâncias de reserva.

As coletas de sementes

O técnico do horto florestal realizam um plano de coleta mensal baseando-se no conhecimento da época de maturação, no tipo de dispersão das sementes, nas condições climáticas, na condições físicas do terreno, bem como análise das características das árvores matrizes. A maneira de coletar as sementes depende da forma e altura das árvores, e das características dos frutos, pois cada espécie de árvore possui frutos diferentes, uns delicados e outros mais resistentes. Após toda essa análise as sementes são coletadas.

Beneficiamento

Após a coleta de sementes, é realizado o beneficiamento que é a limpeza e retirada de partes da planta que são desnecessário para a germinação dessa semente. As sementes são pesadas e acondicionadas em local específico.